giovedì
domenica
giovedì
venerdì
sabato
:: Amar...

Amamos, tão-somente, a ideia que fazemos de alguém.
É a um conceito nosso - em suma, é a nós mesmos - que amamos.
Isso é verdade em toda a escala do amor.
No amor sexual buscamos um prazer nosso dado por intermédio
de um corpo estranho.
No amor diferente do sexual, buscamos um prazer nosso dado
por intermédio de uma ideia nossa.
venerdì
:: Quem Diz...


que sabe ou sonha de beleza?
Quem sente que suja ou é sujado por fazê-los
que goza de si mesmo e com alguém?
Só não é belo o que se não deseja
ou que ao nosso desejo mal responde.
E suja ou é sujado que não seja
feito do ardor que se não nega ou esconde.
Que gestos há mais belos que os do sexo?
Que corpo belo é menos belo em movimento?
E que mover-se um corpo no de um outro o amplexo
não é dos corpos o mais puro intento?
Olhos se fecham não para não ver
mas para o corpo ver o que eles não,
e no silêncio se ouça o só ranger
da carne que é da carne a só razão.
Jorge de Sena
lunedì
domenica
:: Respiro...
sabato
domenica
mercoledì
:: Pálida...
domenica
:: Vida...

Uma pausa no que deve ser
Um lugar de descanso
Um longo caminho
Para a felicidade
Uma doce miragem
Uma doce eternidade
Uma viagem diferente
Com destino a um lugar
Maior do que cremos
E em que cremos piamente
Para alguns a viagem é mais rápida
Para outros mais lenta
E quando a viagem termina
No sonho que se acalenta
Reclamamos uma grande recompensa.
sabato
venerdì
:: No teu poema...

existe um verso em branco e sem medida,
um corpo que respira,
um céu aberto,
janela debruçada para a vida.
No teu poema existe a dor calada
lá no fundo,
o passo da coragem em casa escura e,
aberta, uma varanda para o mundo.
Existe a noite,o riso e a voz refeita à luz do dia,
a festa da Senhora da Agonia
e o cansaço do corpo que adormece em cama fria.
Existe um rio,
a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema existe o grito e o eco da metralha,
a dor que sei de cor mas não recito
e os sonhos inquietos de quem falha.
No teu poema existe um canto
chão alentejano,a rua e o pregão de uma varina
e um barco assoprado a todo o pano.
Existe um rio a sina de quem nasce fraco ou forte,
o risco, a raiva e a luta de quem cai
ou que resiste,
que vence ou adormece antes da morte.
No teu poema existe a esperança acesa atrás do muro,
existe tudo o mais que ainda escapa
e um verso em branco à espera de futuro.
Ary dos Santos
José Tinoco(canção)
lunedì
domenica
martedì
domenica
:: Ausência...


AUSÊNCIA
Por muito tempo achei que a ausência é falta.
E lastimava, ignorante, a falta.
Hoje não a lastimo.
Não há falta na ausência.
A ausência é um estar em mim.
E sinto-a, branca, tão pegada,
aconchegada nos meus braços,
que rio e danço e invento exclamações alegres,
porque a ausência assimilada,
ninguém a rouba mais de mim.
Carlos Drummond de Andrade
sabato
:: Minuto de Sabedoria - Pensamento...

Minuto de Sabedoria
É dito que a mente pode ser sua
melhor amiga ou pior inimiga.
A cada segundo você tem a chance de escolher a companhia.
Visite: www.minutodesabedoria.com.
mercoledì
sabato
:: Pedaços de Mim...

Eu sou feito de Sonhos interrompidos
detalhes despercebidos
amores mal resolvidos
Sou feito de
Choros sem ter razão
pessoas no coração
actos por impulsão
Sinto falta de Lugares que não conheci
experiências que não viv
imomentos que já esqueci
Eu souAmor e carinho constante
distraída até o bastante
não paro por instante
JáTive noites mal dormidas
perdi pessoas muito queridas
cumpri coisas não-prometidas
Muitas vezes eu
Desisti sem mesmo tentar
pensei em fugir,
para não enfrentar
sorri para não chorar
Eu sinto pelas Coisas que não mudei
amizades que não cultivei
aqueles que eu julguei
coisas que eu falei
Tenho saudade
De pessoas que fui conhecendo
lembranças que fui esquecendo
amigos que acabei perdendo
Mas continuo vivendo e aprendendo.
:: Soneto...



Amo-te tanto, meu amor ...
não cante
O humano coração com mais verdade ...
Amo-te como amigo e como amante
Numa sempre diversa realidade.
Amo-te afim, de um calmo amor prestante
E te amo além, presente na saudade.
Amo-te, enfim, com grande liberdade
Dentro da eternidade e a cada instante.
Amo-te como um bicho, simplesmente
De um amor sem mistério e sem virtude
Com um desejo maciço e permanente.
E de te amar assim, muito e amiúde
É que um dia em teu corpo de repente
Hei de morrer de amar mais do que pude.
:: Quando...

Quando Você...
Quando você estiver triste, com o coração cheio
de mágoas, me procure.
Se eu não puder ajudar,
prometo que tomarei um bom porre com você
e xingarei todos que te deixaram assim!
Quando você estiver feliz e quiser comemorar,
me procure.
Se eu não puder ser aquela banda
que você deseja que toque, posso fazer muito
barulho, assobiando, gritando, cantando
e batendo as tampas da panela!
Quando você estiver pra baixo,
me procure.
Posso não conseguir levantar seu astral,
mas prometo fazer de tudo para que
você não caia ainda mais!
Quando você estiver com medo
de alguma coisa, me procure.
Prometo que vou tirar um sarro da
sua cara, vou me virar do avesso de tanto
rir e você vai criar coragem na hora!
Quando você quiser choramingar
pelos cantos,me procure.
Prometo contar muitas histórias horrorosas,
uma pior que a outra e você
vai acabar com essas frescurinhas
no mesmo instante!
Quando você estiver com uma confusão
muito grande na sua cabeça, me procure.
Prometo
explicar minuciosamente o quanto você
não entende nada vezes nada
!Quando você começar a se irritar,
por achar quetudo que faço,
é só para te irritar, me procure.
Então, nessa hora, farei você entender que
eu estou simplesmente querendo roubar
um sorriso seu,
apenas porque:
Adoro você!
desconhecido
:: Videos de Moda...

Clint Mauro Armani Exchange
Armani Exchange Fashion Parade
D&G : Fashion Show FW 06-07 Runway
Armani Exchange Summer 2007 Behind the Scenes
FULL SHOW GIORGIO ARMANI - FW HOM AH 2005/2006
Men in Black - Male models dressed in black
D&G : Fashion Show Spring Summer 2007 Runway
Emporio Armani Get together
FULL SHOW EMPORIO ARMANI-MILAN FW HOM AH 2005/2006
Giorgio Armani 2006-07 Fall Winter Men Full Show Part 1 of 2
Emporio Armani Diamonds Commercial Featuring Beyonce
Giorgio Armani : Fashion Show FW 06-07 Preview
Valentino : Fashion Show SS07 (Part 1)
Armani Exchange Music Paradiso (Escape)
Dolce and Gabbana Men's Fashion Show
Armani Privé Fall/Winter 2007/2008
Armani w/Ryan Phillipe & Amanda Lepore by David LaChapelle
Christie's & AX Armani Exchange Rock T-Shirt Fashion Show
::
domenica
:: Se penso...


Se penso mais que um momento
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,
Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,
Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.
Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lambra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.
Fernando Pessoa
Se penso mais que um momento
Na vida que eis a passar,
Sou para o meu pensamento
Um cadáver a esperar.
Dentro em breve (poucos anos
É quanto vive quem vive),
Eu, anseios e enganos,
Eu, quanto tive ou não tive,
Deixarei de ser visível
Na terra onde dá o Sol,
E, ou desfeito e insensível,
Ou ébrio de outro arrebol,
Terei perdido, suponho,
O contacto quente e humano
Com a terra, com o sonho,
Com mês a mês e ano a ano.
Por mais que o Sol doire a face
Dos dias, o espaço mudo
Lambra-nos que isso é disfarce
E que é a noite que é tudo.
Fernando Pessoa
mercoledì
:: Flor...
Uma flor de verde pinhoEu podia chamar-te pátria minha
dar-te o mais lindo nome português
podia dar-te um nome de rainha
que este amor é de Pedro por Inês.
Mas não há forma não há verso não há leito
para este fogo amor para este rio.
Como dizer um coração fora do peito?
Meu amor transbordou. E eu sem navio.
Gostar de ti é um poema que não digo
que não há taça amor para este vinho
não há guitarra nem cantar de amigo
não há flor não há flor de verde pinho.
Não há barco nem trigo não há trevo
não há palavras para dizer esta canção.
Gostar de ti é um poema que não escrevo.
Que há um rio sem leito. E eu sem coração.
Manuel Alegre
domenica
sabato
:: Rosas...

Prefiro rosas, meu amor, à pátria,
E antes magnólias amo
Que a glória e a virtude.
Logo que a vida me não canse, deixo
Que a vida por mim passe
Logo que eu fique o mesmo.
Que importa àquele a quem já nada importa
Que um perca e outro vença,
Se a aurora raia sempre,
Se cada ano com a Primavera
As folhas aparecem
E com o Outono cessam?
E o resto, as outras coisas que os humanos
Acrescentam à vida,
Que me aumentam na alma?
Nada, salvo o desejo de indiferença
E a confiança mole
Na hora fugitiva.
Fernando Pessoa
:: Flor da Pele...



Canção tão simples
Quem poderá domar os cavalos do vento
quem poderá domar este tropel
do pensamento
à flor da pele?
Quem poderá calar a voz do sino triste
que diz por dentro do que não se diz
a fúria em riste
do meu país?
Quem poderá proibir estas letras de chuva
que gota a gota escrevem nas vidraças
pátria viúva
a dor que passa?
Quem poderá prender os dedos farpas
que dentro da canção fazem das brisas
as armas harpas
que são precisas?
Manuel Alegre
venerdì
giovedì
:: A Hora...

A hora da partida soa
quando Escurece o jardim
e o vento passa,
Estala o chão
e as portas batem,
quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa
quando as árvores
parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo
dos espelhos
Me é estranha
e longínqua a minha face
E de mim
se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andersen
venerdì
:: O Poema é seu...

PlanoTrabalho
o poema sobre uma hipótese:
o amor que se despeja
no copo da vida,
até meio, como se
o pudéssemos beber
de um trago.
No fundo,como o vinho turvo,
deixa um gosto
amargo na boca.
Pergunto onde está
a transparência do vidro,
a pureza do líquido inicial,
a energia de quem procura
esvaziar a garrafa;
e a resposta são estes cacos
que nos cortam as mãos,
a mesada alma suja de restos,
palavras espalhadas
num cansaço de sentidos.
Volto, então, à primeira hipótese.
O amor.
Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha
o copo até cima,
para que o possa erguer à luz
do teu corpo
e veja, através dele,
o teu rosto inteiro.
Nuno Judice
o poema sobre uma hipótese:
o amor que se despeja
no copo da vida,
até meio, como se
o pudéssemos beber
de um trago.
No fundo,como o vinho turvo,
deixa um gosto
amargo na boca.
Pergunto onde está
a transparência do vidro,
a pureza do líquido inicial,
a energia de quem procura
esvaziar a garrafa;
e a resposta são estes cacos
que nos cortam as mãos,
a mesada alma suja de restos,
palavras espalhadas
num cansaço de sentidos.
Volto, então, à primeira hipótese.
O amor.
Mas sem o gastar de uma vez,
esperando que o tempo encha
o copo até cima,
para que o possa erguer à luz
do teu corpo
e veja, através dele,
o teu rosto inteiro.
Nuno Judice
giovedì
:: Amigo...

Mal nos conhecemos
Inauguramos a palavra amigo!
Amigo é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo
Uma casa, mesmo modesta,
que se oferece.
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!
Amigo
(recordam-se, vocês aí,Escrupulosos detritos?)
Amigo é o contrário de inimigo!
Amigo é o erro corrigido,
Não o erro perseguido, explorado.
É a verdade partilhada, praticada.
Amigo é a solidão derrotada!
Amigo é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil,
um tempo fértil,
Amigo vai ser,
é já uma grande festa!
mercoledì
:: Busco...
Busco fora de mimo que existe somente
em mim;
sempre serei a solitária flor
que, da infausta existência esquecida,
inconsciente,varia na embriaguez
febril do próprio odor.
Distribui-se meu ser
de tal modo no ambiente,
que chego a uma alma irmã
perto de mim supor;
sinto comigo, alguém,
longe de toda gente,
e as multidões
me dão da soledade o horror.
O que anseio é só meu,
só no meu ser existe,
e por isso me fiz muito triste,
assim triste,
no sonho de afeição
que me é dado compor...
Procuro-me a mim mesma,
em meus longes perdida,
sem poder encontrar,
dentro de estranha vida,
um amor, outro amor,
para o meu louco amor!...
Gilka Machado

domenica
venerdì
:: Si Tú...
Si tú vienes...
...esta noche
seremos un canto gregoriano
un azul mediterráneo
un esfuerzo sobre
humano un camino
y sus esquinas
un bolero y sus compases
un deseo que la noche
huela a vino y tenga cuerpo
y el encuentro sea un pacto
y toque el alma.
Si tú quieres...
...esta noche tendremos
nuestra piel declamando sudores
nuestros dedos tocando calores
nuestras bocas oliendo sabores
nuestra urgencia exigiendo clamores
nuestra cama rezando promesas
nuestros gritos mostrando el camino
nuestras gotas llegando a destino.
Si tú dejas...
...esta noche veremos
los silencios cantando sin sonido
las palabras temblando sin descanso
las estrellas gimiendo sin verguenza
la emoción declamando dulcemente
la canción galopando sin montura
el amor dibujando sus urgencias
elocuencias inclemencias y dolencias.
Si lo pides...
...esta noche será entonces
un planeta sin fronteras
la pregunta y su respuesta
dos amantes y sus juegos
una búsqueda sin miedo
un encuentro de mutantes sin prejuicios
conjugando grito y eco
ojo y brillo día y luna
noche y playa sol y sombra
el desierto y sus camellos
vela y viento
cruz y espada.
Esta noche no lo dudes!....
Si tú vienesy me quieres...
Si tú dejasy lo pides...
Bruno Kampel
giovedì
domenica
:: Destruição...


Destruição
Os amantes se amam
cruelmente e com
se amarem tanto não se vêem.
Um se beija no outro,
refletido.
Dois amantes que são?
Dois inimigos.
Amantes são meninos
estragados pelo mimo de amar:
e não percebem quanto
se pulverizam no enlaçar-se,
e como o que era mundo
volve a nada. Nada.
Ninguém.
Amor, puro fantasma
que os passeia de leve,
assim a cobra se imprime
na lembrança de seu trilho.
E eles quedam mordidos
para sempre.
deixaram de existir,
mas o existido
continua a doer eternamente.
Carlos Drummond de Andrade
giovedì
:: Talvez...


Talvez houvesse uma flor
aberta na tua mão.
Podia ter sido amor,
e foi apenas traição.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua. . .
Ai de mim, que nem pressinto
a cor dos ombros da Lua!
Talvez houvesse a passagem
de uma estrela no teu rosto.
Era quase uma viagem:
foi apenas um desgosto.
É tão negro o labirinto
que vai dar à tua rua...
Só o fantasma do instinto
na cinza do céu flutua.
Tens agora a mão fechada;
no rosto, nenhum fulgor.
Não foi nada, não foi nada:
podia ter sido amor.
David Mourão Ferreira
martedì
:: Regressar...



Regressar ao corpo,
entrar nele
sem receio da insurreição
da carne.
Nenhuma boca é fria,
mesmo quando atravessou
o inverno.
Uma boca é imortal
sobre outra boca:
diamante
aceso, estrela aberta
quando a luz irrompe,
invade
ombros, peitos, coxas,
nádegas, falos.
Despertos, puros no seu pulsar,
aís os tens:
esplendorosos, duros.
Eugénio de Andrade
:: Por esse....
Branislav Fabijanic
Por esse caminho foste,
por ele deveras voltar,
se a voltar estiveras destinado.
Que pássaros, ou leões,
com que cores desaparecidas
deixariam o teu rasto perceber?
te é dado perceber,Quedas são estas muralhas,
quedas são, por onde voltas
da curva dessa estrada.
Ao regressares,
que linhas do meu rosto
que sons da minha voz
podes de repente recordar?
Porque do dia em que foste
me esqueceu outro caminho:
esse em que casas e luas
se amontoam, e as asas breves,
para poderem voar.
Helena Carvalhão Buescu
venerdì
:: Sonho colorido...


Vem de mansinho…
Deixa-me ficar
nesta penumbra, nesta meia luz.
Senta-te amor, devagarinho…
Assim…
Eu quero escutar
essa música dolente,que a tua luz traduz!
Vem contar-me contos…
Conta-me a vida dos ciganos
nómadas, errantes.
Dize-me dos orientais
que têm paixões brutais
e dos seus haréns,as cenas sensuais…
Dá, meu amor,dá alegria,
põe muita cor
nessas novelas…
Vem contar-me coisas belas!
Veste as ciganas bronzeadas
de lenços de ramagens!
Dá tons vivos às imagens…
Veste-as de cores encarnadas!
Fala-me dessas tribos selvagens
enfeitadas com penas multicores
e coisas esquisitas,desenhando tatuagens
no peito das favoritas!
- Dize-me dos teus amores…
Enche de luz e de estridor
a minha alcova sombria!
Dá-me alegria…
Incendeia meu sangue arrefecido!
E depois meu amor…
Depois…
deixa-me sonhar…
Delirar,
num sonho belo,
rubro, colorido!
Judith Teixeira
:: Tu...

Tu me bebes
e eu me converto na tua sede.
Meus lábios mordem,meus dentes
beijam,minha pele te veste
e ficas ainda mais despida.
Pudesse eu ser tu
e em tua saudade ser a minha própria espera
Mas eu deito-me no teu leito
quando apenas queria dormir em ti,
E sonho-te
quando ansiava ser um sonho teu.
E levito, voo de semente,
para em mim mesmo te plantar
menos que flor:
simples perfume,lembrança
de pétala sem chão onde tombar.
Teus olhos inundando os meus
e a minha vida, já sem leito,
vai galgando margens
até tudo ser mar.
Esse mar que só há depois do mar.
Mia Couto
lunedì
venerdì
lunedì
:: Véu que protege...

É impossível no mundo
estarmos juntos
ainda que do meu lado adormecesses.
O véu que protege a vida
nos separa.
O véu que protege a vida
nos protege.
aproveita, pois,
que é tudo branco agora,
à boca do precipício,
neste vórtice
e fala
nesta clareira aberta pela insônia
quero ouvir tua alma
a que mora na garganta
como em túmulos
esperando a hora da ressurreição,
fala meu nome
antes que eu retorne
ao dia pleno,
à semi-escuridão
estarmos juntos
ainda que do meu lado adormecesses.
O véu que protege a vida
nos separa.
O véu que protege a vida
nos protege.
aproveita, pois,
que é tudo branco agora,
à boca do precipício,
neste vórtice
e fala
nesta clareira aberta pela insônia
quero ouvir tua alma
a que mora na garganta
como em túmulos
esperando a hora da ressurreição,
fala meu nome
antes que eu retorne
ao dia pleno,
à semi-escuridão
:: È tão natural...

É tão natural
que eu te possua
é tão natural que tu me tenhas,
que eu não me compreendo
um tempo houvesse
em que eu não te possuísse
ou possa haver um outro
em que eu não te tomaria.
Venhas como venhas,é tão natural que a vida
em nossos corpos se conflua,
que eu já não me consinto
que de mim tu te abstenhas
ou que meu corpo te recuse
venhas quando venhas.
E de ser tão natural
que eu me extasie
ao contemplar-te,e de ser tão natural
que eu te possua,
em mim já não há como extasiar-me
tanto a minha formas
e integrou na forma tua.
Affonso Romano de Sant'Anna
Affonso Romano de Sant'Anna
domenica
:: Leio...
lunedì
:: Ano Novo...
sabato
domenica
:: Chamo-te...

Chamo-Te
porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.
Peço-Te
que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares
me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.
Peço-Te
que sejas o presente.
Peço-Te
que inundes tudo.
E que o teu reino antes
do tempo venha.
E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado...
Sophia de Mello Breyner Andersen
venerdì
giovedì
:: Escrever-lhe...

Como não ter amado
os seus grandes olhos fixos.
Posso escrever os versos
mais tristes esta noite.
Pensar que não a tenho.
Sentir que já a perdi.
Ouvir a noite imensa,
mais imensa sem ela.
E o verso cai na alma
como no pasto o orvalho.
Importa lá que o meu
amor não pudesse guardá-la.
A noite está estrelada
e ela não está comigo.
Isso é tudo.
Ao longe alguém canta.
Ao longe.
A minha alma não
se contenta
com havê-la perdido.
Como para chegá-la
a mim o meu
olhar procura-a.
O meu coração procura-a,
ela não está comigo.
A mesma noite
que faz branquejar
as mesmas árvores.
Nós dois,
os de então,
já não somos os mesmos.
Já não a amo,
é verdade,
mas tanto que a amei.
Esta voz buscava
o vento para tocar-lhe o ouvido.
De outro.
Será de outro.
Como antes dos meus beijos.
A voz, o corpo claro.
Os seus olhos infinitos.
Já não a amo,
é verdade,
mas talvez a ame ainda.
É tão curto o amor,
tão longo o esquecimento.
Porque em noites como esta
tive-a em meus braços,
a minha alma não
se contenta por havê-la perdido.
Embora seja a última dor
que ela me causa,
e estes sejam
os últimos versos que lhe escrevo.
Pablo Neruda
mercoledì
martedì
lunedì
Iscriviti a:
Post (Atom)


















































































































































































